domingo, 28 de dezembro de 2008

Como se dança o baião (de dois)

Dançou a noite toda. Simplesmente a noite toda para disfarçar uma saudade de sei-lá-o-quê.
Dançou aquelas musicas ridículas de mulheres mal comidas. E dançou sozinha com o pensamento lá longe. Até que um rapaz, embora muito feio, teve a graça de tirar a mocinha pra dançar. E além disso, a paciência de respeitar o limite da donzela: dois pra lá, dois pra cá.
Com o rapaz, teve a sorte de dançar musicas de amores possíveis e o azar da conversa frouxa “oi, como você chama, o que faz?”. Triste. Bizarro. A imagem da mocinha dançando era engraçada pra não dizer feia.
Mas o fato é que ela dançou a noite toda. E o vestidinho curto que exibia suas pernas branquelas deve ter chamado atenção. Mas, mero detalhe. Bom ou ruim? Indiferente. Ela dançou a noite toda. E dançava na expectativa de transpirar toda a falta de alguma coisa. E transpirou. Não a falta. Transpirou aquela bebida-quente-que-deus-que-me-livre-guarde-amém.
A falta continua aqui, diz a menina. E não há dança que a supra.
Depois saiu sapateando enfurecida, pois você não a tirou pra dançar. E ela também não teve coragem de pedir.
Mas o fato é que ela dançou a noite toda. E a noite dançou com ela vestindo aquele terno com broche de estrela. E dançaram tanto que por fim, acabou esquecendo a falta. Só foi lembrar no dia seguinte, quando o broche se apagou.

3 comentários:

garotabossanova disse...

Talvez o segredo seja exatamente esse: que a moça continue dançando,apesar da falta.Até que da falta não reste mais nada e que o vazio seja preeenchido pela felicidade de estar viva.

Luciano Maia disse...

Mas a vida não é um gigantesco baile onde a gente dança o tempo todo e muitas vezes esconde o que realmente quer ou pensa?

Há uma verdadeira sucessão de salões de dança todos os dias em nossas vidas, exigem os mais variados trajes e passos.

Toda manhã o broche se apaga e nós ateamos brilho nele novamente...

Bazinha disse...

hahahahahaahahahhahahaha mas aquela bebida quente deixou o broche mais brilhante ainda, heim?

ai amiga, demais.

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