domingo, 28 de dezembro de 2008

Como se dança o baião (de dois)

Dançou a noite toda. Simplesmente a noite toda para disfarçar uma saudade de sei-lá-o-quê.
Dançou aquelas musicas ridículas de mulheres mal comidas. E dançou sozinha com o pensamento lá longe. Até que um rapaz, embora muito feio, teve a graça de tirar a mocinha pra dançar. E além disso, a paciência de respeitar o limite da donzela: dois pra lá, dois pra cá.
Com o rapaz, teve a sorte de dançar musicas de amores possíveis e o azar da conversa frouxa “oi, como você chama, o que faz?”. Triste. Bizarro. A imagem da mocinha dançando era engraçada pra não dizer feia.
Mas o fato é que ela dançou a noite toda. E o vestidinho curto que exibia suas pernas branquelas deve ter chamado atenção. Mas, mero detalhe. Bom ou ruim? Indiferente. Ela dançou a noite toda. E dançava na expectativa de transpirar toda a falta de alguma coisa. E transpirou. Não a falta. Transpirou aquela bebida-quente-que-deus-que-me-livre-guarde-amém.
A falta continua aqui, diz a menina. E não há dança que a supra.
Depois saiu sapateando enfurecida, pois você não a tirou pra dançar. E ela também não teve coragem de pedir.
Mas o fato é que ela dançou a noite toda. E a noite dançou com ela vestindo aquele terno com broche de estrela. E dançaram tanto que por fim, acabou esquecendo a falta. Só foi lembrar no dia seguinte, quando o broche se apagou.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Órtica do pôvo!

Gente desleixado é foda, né? Isso que dá. Perdi meus óculos vermelhos e na tentativa de encontrar alguma outra opção que me deixasse assim, mais moderninha, fui numa ótica com o nome bem modernoso escolher o modelito que iria emoldurar minha visão pelos próximos alguns anos.
-Moço, seguinte, eu to procurando um modelo de óculos. Alguma coisa assim, mais moderna, sabe?
- Sei, sei. Deixa eu pegar pra você ver.
Aí o moço pegou uns 20 modelos . Porra! Precisava desmontar a vitrine toda? E na esperança de encontrar alguma coisa bacana, 20 modelos só servem para:
1. Questionar “Por que eu tinha que ter miopia, Deus?!”
2. Fazer outra pergunta. “Por que meu olho não aceita lentes de contato?”
3. Resmungar: Que bosta!
4. Ficar irritado com o vendedor.


Até que por fim eu encontro um modelinho que encaixa bem. E o melhor: BARATO!
Na hora de vender o moço fala meio bixoso: Nónssa, ficou maravilhoso! É esse modelo! Encaixa perfeito no seu rosto que é bem fino e delicado.

Tudo bem, eu também achei que fiquei legalzinha com o óculos. Mas cheguei em casa e, no auge do meu bom humor, claro, não pude deixar escapar a piada.
Qualquer semelhança é mera coicidencia!

Ps: Bazinhaaa, mais uma pra minha coleção de “eu sou fulana de tal”






terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um limão, dois limão...

Quer perder minha consideração é só dizer: “Se a vida te deu limão, faça uma limonada”. Que coisa mais ridícula! Má rapá, faça tu a tua limonada com teus limãozinho-do-capeta...
Se a vida me der limão eu faço logo uma caipirinha. E saio feliz da vida.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quem bom dia a cavalo da....

E aí que eu entrei no taxi plena 6:50 da manhã. E pro horário estava extremamente bem humorada. Mas antes de continuar a história, quero deixar uma coisa muito claroa. Bem, querido leitor eu sou a favor da educação, e sei que nunca é demais. Portanto, uso sem dó: obrigada, bom dia, por favor, etc. Às vezes sou até mal interpretada e ficam achando que estou dando mole. Aí eu faço coro com aqueles retardados de plantão que adoram um clichê e gritam: "Sou legal, não tô te dando mole". Pronto. Deixando claro a minha belíssima educação vamos ao fato.

Acordo 6:10 da manhã, desejando mais que tudo ficar na minha caminha quentinha sem ter que pensar em nada a não ser em como meu pé poderia ficar mais quentinho ainda se eu o deixasse coberto. Lutando contra todos meus desejos, levanto, tomo um banho para acordar, e vou andando até o ponto de taxi.

Por um instante achei bom ele estar vazio, porque aí eu poderia comprar pão de queijo na padaria e tomar um café da manhã antes da bateria de provas que eu tinha pela frente. Mas aí eu gelei, porque ligar pra cooperativa de taxi é sempre um problema. Primeiro porque não basta você dizer "Oi, tudo bem, sou cidadã pagante e preciso de um taxi na rua tal esquina com rua qual". Nãaaao. Isso não é suficiente. Assim como não é suficiente seu amorzinho apenas te dizer que te ama e quer ter filhos contigo. Claro, que você já quer escolher o nome dos rebentos e a cor da parede do quarto das crionças. Portanto, porque a cooperativa de taxi seria diferente? A dona que atende a clientela pagante não ta pedindo planos de longo prazo e uma poupança para pagar a faculdade do futuro fruto de seu ventre, ela só quer um número, ah é uma "esquina também, por favor." 

Eu, solicitamente - e diga-se de passagem louca para reservar meu taxi - procurei o maldito número da padaria. Não achava de jeito nenhum  - Meu Deus, como a correspondência desse lugar chega? -. Mas como além de educada sou muito inteligente, bati o olho na placa e falei o numero da padaria. como ela fica bem na esquina era exatamente o primeiro numéro da placa. Para vocês, que andam com a cabeça no mundo da lua, as placas, além de nome das ruas, informam de que número à que número estão as casas do quarteirão. desliguei o telefone, fiquei com medinho e confirmei com a atendente o número da padaria. 817, isso mesmo, 817. Comprei meu pão de queijo e satisfeitamente sento no ponto de ônibus a frente da padaria e espero. Eis que pouco mais de 15 minutos pós requisição vejo um taxi muito preguiçoso do outro lado da rua. Levanto e olho pra ele com cara de "vêm me pegar, to aqui". Hahaha, acho que o maldito taxista pensou o que muitos leitores bobinhos também pensaram, "nossa, que fácil ela, heim?". Mas, amiguinhos não é anda disso. Eu fiz cara de: "sou eu mesma, ok? da pra desenvolver e  chegar aqui logo?". Acho que minha cara não adiantou muito, e anta passou meu quarteirão. E eu fiquei lá em pé, mas a minha cara, nesse ponto, passou para cara-de-otária. Aí depois que eu fiz sinal para ele que já estava no outro quarteirão ele se mancou que já tinha passado o tal 817 e voltou. Parou o carro perto de mim e assim que eu entro e me preparo para, educadamente desejar bom dia, ele logo me diz "Essa rua não tem 817". Muito pacientemente eu lhe disse: "Tem sim, esse é o número 817". E ele que já havia ligado o taximetro ficou na porta olhando e perguntando "Cadê o número?". Muito pacientemente eu mostrei a ele, o número atrás de umas eras. Ele ficou me perguntando cadê e falando que não tinha número 817 não. Eu comecei a ficar muito puta - odeio quando duvidam de mim - e repeti: "Essa rua tem número 817 e é esse. Duvida? olha a placa". O maldito continuou parado perguntando onde estava o número. Adotei uma postura de metida e disse, "Bem, esse é o número 817, bom que você fica sabendo. Mas agora quero ir pro número 23 de tal rua, obrigada". Ele ficou puto comigo, mas também, caguei. Ele não tem o mínimo trato com os clientes e ainda era rude. Se eu não estivesse precisando tanto de um taxi desceria e mandaria ele procurar o 817 no lugar que ele senta e não bate o sol. Mas como sou lady eu só fiz uma cara de blasé, fingindo que era muito metida. Bazinha te despreza.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Telefonema de Natal


“Chamada a cobrar, para aceita-la continue na linha após a identificação....”

-Alô?
- Alô? Robertinho? Tá me ouvindo? Porra cara, quanto tempo...
-Quem é que ta falando?
- Alô? Tá me ouvindo? Alôoooo?
- Oi! Oi! Quem é que ta falando?
- Robertinho, aqui é o Mário, lembra?

Robertinho não lembrava. Mas era esperto e não ia fazer a pergunta infame: “Que Mário?”. Até porquê chamar-se Mário ou conhecer algum Mário pode não soar bem nos dias de hoje.

- Mário?! Claro que lembro. E aí rapaz, tudo bem contigo?
- Porra, Cara. Eu tô legal sim. Quanto tempo...
- É... o tempo passa rápido mesmo.

Cai a ligação.
Toca o telefone. Robertinho atende.

“Chamada a cobrar....”
- Alô?
-Robertinho? Caiu a ligação...
- É, eu percebi. Mas aqui, feliz natal pra você, preciso desligar agora.
-Porra cara, saudade de tu, meu velho.
- Meu velho o cara#$#. Quem é que ta falando?
-Robertinho, aqui é o Mário...
-Que Mário, porra?

Tu-tu-tu-tu.

A gente fica tão carente no Natal que atende até ligações a cobrar. Já perceberam?

Natal auto-ajuda

Festa de final de ano é uma maravilha. 
Eu adoro. E, por aqui - por agora- não há sarcasmo.
O que me complica a vida são as ligações. As ligações de natal são quase que iguais as de aniversário. De repente, todo mundo começa a sentir um amor imenso por tudo que há no mundo e resolvem tudo com ligações sóbrias, semi-bêbadas e bêbadas. Sinceramente, eu não preciso muito do natal não. É só estar um pouquinho carente que já to mandando uma sms pra alguém que eu acho que vá me entender. 

Mas, voltando ao que interessa, as ligações natalinas são um problema. É muito amor para só 5 minutos. E o papo é o mesmo, todo mundo fica doido pra ficar parecendo família nessas horas. Fala-se de prosperidade, e faz-se promessas de se ver mais, reafirmam-se os laços existentes e a importância deles e é amor que não acaba. Sinceramente? É muita emoção pro meu gosto. É tanta coisa que.. como é que você responde, cara? Ah, eu também, te desejo tudo isso também, é isso mesmo. Você tem razão, te amo também (?), sim,  vamos nos ver mais no próximo ano... etc. Ah, eu não tenho muita paciência para essa padronização de ligações durante o solstício de verão. Isso tudo é amor enlatado, e meu médico já me avisou que é melhor comer a lata que a comida dentro da lata, então tô dispensando.

É uma delícia se sentir lembrada, mas é tão bom receber ligação de natal não padronizada. Pelo menos não fica parecendo esses e-mails-power-point que a gente recebe e nem abre por pura preguiça. E também por estar cansado dessas mensagens aleatórias que prometem que tudo vai dar certo, se houver fé (?). Chega de mensagens natalinas auto-ajuda. Chega de promessas natalinas tão falsas quanto promessas de ano novo. Chega de falar de prosperidade e amor em uma só ligação, em um só dia. Chega de enlatar a vida.

Feliz Natal. Escute sua música preferida e dedique à alguém. Pode ser Simone, eu deixo. Afinal, temas comemorativos são clássicos. Então é natal. E o que você fez? O ano termina, e nasce outra vez.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Americanas. Americâ-nás!

Sempre terá um assunto melhor para a inauguração de um blog do que festas de final de ano. Mas a reunião de pauta foi envolvida por uma rebeldia natalina.
"Amiga, vamos escrever um texto sobre natal?". Ela animou. Então é esse o assunto da vez,porque "Então é natal..."


É sempre assim, sai as fantasias de halloween , entram os pinduricalhos de natal. No iniciozinho de novembro as Lojas Americanas tiram o cd do Padre Marcelo (ergue-êi as mã-ãos e dai gloria a deus) e colocam para tocar o hit natalino de mais sucesso: Então é Natal (e Ano novo também), cantado pela Simone. É uma delícia comprar roupas de baixo em clima de natal fora de época. O natal é uma verdadeira variedade de calcinhas e invisible bras para os decotes de réveillon. Já comprei a minha: ABUNDANCIA. É o que está escrito na bunda. A cor eu não digo, para que vocês não me interpretem mal.
Aí, lá pro meio de novembro, a gente começa a pensar no que vamos pedir para o Papai Noel. E claro, a gente cresce e as vontades são diretamente proporcionais as nossas idades. E claro que passamos nas melhores lojas de modernidades eletrônicas.
WISH LIST:

I POD TOUCH
CELULAR 3G
MÁQUINA FOTOGRÁFICA DIGITAL (7.1 MEGAPIXEL MINÍMO)
ASSINATURA DOS CANAIS HBO E TELECINE

E por aí vai... É Papai Noel, não adianta usar a crise como desculpa. Pode passar aqui em casa com o saco cheio. De presentes, claro...
Bom, e então finalmente chega dezembro. E a Simone lá, nas Americanas cantando Então-é-natal-e-ano-novo- também há mais de um mês, coitada. E é nesse clima que acendem a praça da Liberdade com luzes que anunciam toda nossa americanidade. Aí é hora de vestir a roupa de musa do verão, umbigo de fora exibindo um piercing a lá Carla Perez e adivinhem: tirar foto abraçando um boneco de neve (lê-se plástico) “ri-di-clo”.
Enquanto o natal é sexy nas Americanas, é bucólico na Liberdade. As famílias Busca Pé se reúnem de geração a geração para tomar um sorvetinho, um algodão-doce-rosa-choque-sintético e uma coca zero pra desencarno de consciência. E na Liberdade é tudo tão moderno que o contraste roça-urbano fica mais bonito quando as crianças brincam com aqueles brinquedos de luzes epilépticas se sentindo quase uns pokemons transformers sei lá o que mais.
O triste das festas de final de ano é a certeza que na madrugada do dia primeiro de janeiro, a ABUNDANCIA passa a não fazer mais sentido. E as pessoas param de pagar mico. E a Liberdade se apaga. E o padre Marcelo volta a cantar erguê-ei as mã-ãos...

É. Pensando bem, sou fã da Simone.